


Um dia na vida do seu corpo
Cada coisa tem seu tempo. A velha frase resume com perfeição os princípios da cronobiologia, área científica que se firmou nos anos 60 do século XX. Seu foco é o estudo dos ritmos biológicos do organismo. Em outras palavras, nas últimas décadas os cientistas descobriram que nosso corpo se adaptou como os dos demais seres vivos, à alternância entre luz e escuridão que caracteriza às 24 horas de um dia. Nesse intervalo, uma série de reações fisiológicas é deflagrada, mas cada uma delas tem hora marcada para acontecer. O hormônio do crescimento é secretado especialmente à noite, exemplifica o neurocientista John Fontenele Araújo, coordenador do Laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esse sobe-e-desce de substâncias se reflete na nossa disposição para desempenhar as tarefas cotidianas nesse ou naquele horário.
Além de afiar a performance nas mais variadas atividades do dia-a-dia, as recentes descobertas sobre os ciclos que comandam o organismo vêm contribuindo para o desenvolvimento de novos remédios e melhoras no tratamento de algumas doenças. A cronobiologia tem demonstrado que alguns sintomas ocorrem com maior intensidade em determinadas horas do dia, explica o neurocientista John Fontenele Araújo. Dessa forma, pode-se ajustar as doses de um medicamento de acordo com os picos de incidência de um mal ou sintoma ao longo das 24 horas. É o caso da pressão alta.
A pressão geralmente dispara nas primeiras horas da manhã, o que explica uma maior ocorrência de infartos e derrames nesse período. Assim, algumas drogas para controlar o problema devem ser engolidas logo depois de o sol nascer. Os ataques de asma são outro exemplo flagrante. Eles costumam vir à tona durante a madrugada. Daí, não é de estranhar a recomendação para os asmáticos se valerem da medicação específica para combatê-los à noite.
Os hospitais mais modernos já se renderam aos ensinamentos dessa área científica. Em alguns deles, até os prédios foram projetados seguindo seus critérios. Antes pensava-se que as UTIs, por exemplo, tivessem de ser totalmente isoladas. Não era importante para o paciente saber se era dia ou noite, conta Fontenele. Hoje muitas dessas unidades já apresentam janelas e, como dá para perceber o ciclo dia-e-noite, os doentes melhoram mais rápido. Não à toa. Em contato com a luminosidade natural, quem está hospitalizado fica, assim, sincronizado com a luz solar. No final das contas, isso provoca um ajuste dos ponteiros do relógio biológico, porque o indivíduo permanece desperto de manhã e à tarde e, depois que a noite cai, adormece. E manter o nosso tique-taque natural regulado é fundamental para conservar ou recuperar a saúde.
Veja alguns horários ideais:
10h A dica é especial para as mulheres, que ficam angustiadas diante da idéia de exibir unhas mal cuidadas por aí: procure fazer a mão de manhã. Qualquer sangramento inesperado, fruto de alguma manobra desastrada da manicure, será estancado mais rapidamente. Explica-se: as plaquetas, os elementos por trás da coagulação sangüínea, encontram-se em níveis mais elevados nesse período. O conselho vale também para os barbudos que querem se livrar dos pêlos no rosto.
11h As manhãs são ideais para devorar pães, massas, doces e afins. Acredita-se que o organismo processe carboidratos com maior velocidade nas primeiras horas do dia do que durante a noite. Um estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostra que a ingestão diária de uma única refeição de duas mil calorias no café-da-manhã todo dia ajudaria a perder peso.
15h Ninguém é muito fã, mas não há escapatória: um dia ou outro a gente tem de se sentar na cadeira do dentista. A escritora Jennifer Ackerman recomenda que as consultas com esse profissional sejam marcadas para depois do almoço. Isso porque à tarde conseguimos suportar com menos estremecimentos eventuais dores nos dentes. E, se houver necessidade de anestesia, as doses serão menores.
19h Final da tarde, início da noite: a temperatura corporal atinge seu pico. Como conseqüência dessa subida, a tolerância à dor, a flexibilidade dos músculos e a velocidade dos reflexos se elevam. Eis uma boa hora para ir à academia ou dar aquela corrida no parque. Quer melhor incentivo para quebrar seus recordes?!
Das 21 à 00h Você pode até tentar adormecer entre as 18 e as 21h, mas vai ser difícil pregar os olhos. A gente tende a dormir melhor de duas a três horas depois desse intervalo. É quando o relógio biológico envia sinais para a glândula pineal aumentar sua produção de melatonina, avisando que está escuro, ambiente ideal para se jogar debaixo dos lençóis.
Fonte:www.saude.abril.com.br
pr mdayres
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